Um condomínio para os amantes do vinho

O sonho de qualquer apreciador de vinhos – elaborar seus próprios rótulos em uma região vinícola encantadora – já pode ser realizado sem precisar sair do Brasil. Um projeto inédito no país, desenvolvido nos mesmos moldes de condomínios vinícolas existentes em regiões produtoras de vinhos da Argentina, do Chile, dos Estados Unidos e de Portugal, deve atrair para a Serra Gaúcha enófilos de todo o pais.

O Terroir Vinhedos Exclusivos, projeto da Lex Empreendimentos Imobiliários e M. Stortti Consultoria, com o apoio técnico da Vinícola Geisse, é o primeiro condomínio vitivínicola de luxo do Brasil. Localizado no município serrano de Garibaldi, capital brasileira do espumante e cenário de filmes e novelas recentes, o projeto conta com 58 lotes de mil metros quadrados em média, caves próprias para a elaboração de vinhos para cada unidade, e um vinhedo coletivo cultivado com cepas Chardonnay e Pinot Noir (as mais utilizadas na elaboração dos famosos vinhos borbulhantes da região).

As obras da primeira fase do projeto, assim como o plantio das videiras, já estão em andamento, e deverão estar concluídas até 2018, ao custo total de R$ 30 milhões. Nas instalações do complexo, está prevista ainda a construção de um hotel boutique, com 26 apartamentos e infraestrutura de lazer disponível a hóspedes e condôminos. O projeto arquitetônico do condomínio é do escritório Bórmida y Yanzón, de Mendoza, na Argetina, reconhecido internacionalmente pelo paisagismo e design de famosas “bodegas” argentinas, como O. Fournier, Salentein e Norton.

“Fomos buscar os melhores profissionais para integrar o projeto, tanto em termos de arquitetura como de enologia”, destaca Maurenio Stortti, diretor da M. Stortti Consultoria. Quem comprar um lote, poderá construir sua casa a partir de modelos assinados pelo escritório de arquitetura argentino, com a assessoria necessária para personalizar as habitações de acordo com seu gosto. “Serão suítes com áreas comuns de convivência que podem se transformar em residência ou, quando desocupadas, em hospedagem boutique administrada pelo próprio hotel do condomínio”, acrescenta Stortti.

Responsável pela consultoria técnica para a elaboração dos espumantes, o enólogo chileno Mario Geisse, que também faz vinhos no Chile, e até mesmo na região da Champagne, na França, além do Brasil, acrescenta: “Daremos respaldo técnico, emprestando nossa experiência internacional para o acompanhamento dos espumantes produzidos no local”. A Serra Gaúcha vem conquistando reputação internacional por seus vinhos espumantes, considerados os melhores produtos da jovem vitivinicultura de qualidade brasileira, e os rótulos da Cave Geisse tem se colocado entre os mais bem pontuados em concursos realizados no Brasil e no exterior,

Na prática, a elaboração de espumantes por parte dos condôminos deve obedecer à seguinte sequência: após a colheita das uvas, a prensagem e a vinificação na Vinícola Geisse, a poucos quilômetros do vinhedo, em Pinto Bandeira, o chamado vinho base, resultante da primeira fermentação (espumantes são vinhos com gás elaborados por meio de duas fermentações), voltará ao condomínio, já engarrafado. Então, nas caves de cada condômino, ocorrerá a segunda fermentação (em garrafa, pelo método tradicional), guarda, envelhecimento, remuage (movimento manual das garrafas para concentração das leveduras mortas no gargalo da garrafa) e degorgement (retirada dessas leveduras).

Embora utilizando as mesmas uvas, os espumantes de cada condômino serão únicos, garante o enólogo Geisse, porque os proprietários decidirão sobre o tempo de envelhecimento da bebida, que poderá ser de um, dois, três ou mais anos, ou o nível de açúcar (Brut, Extra Brut, Nature…). O rótulo também será definido pelo condômino-vinicultor. Serão 600 garrafas exclusivas por unidade, não comercializáveis, com as quais os proprietários de lotes no Terroir poderão recepcionar ou presentear clientes e amigos.

A Serra Gaúcha dispõe, atualmente, de uma bem organizada infraestrura voltada ao enoturismo, com boa rede hoteleira e gastronomia de padrão internacional. Concursos internacionais de vinhos são realizados todos os anos na região. Garibaldi é servida pelo aeroporto de Caxias do Sul, a cerca de 60 quilômetros de distância, mas a comunidade de Bento Gonçalves, a apenas dez quilômetros da capital do espumante, já se mobiliza para conseguir a ampliação e o asfaltamento da pista do aeroporto local, com vistas a receber jatos executivos.

Os invernos frios e a altitude de mais de 500 metros, em média, reservam com alguma frequência às centenas de milhares de turistas que visitam a Serra Gaúcha o tão esperado espetáculo da neve, principalmente em Gramado. Com um condomínio vitivinícola como os que tem levado enófilos paulistas e cariocas a adquirir lotes em Mendoza, o sonho de se tornar um vinhateiro de fim de semana ficou algumas horas de voo mais próximo.

Terroir3

 

Terroir

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *