Uma vinícola “açoriana” na altitude gaúcha

A Vinícola Fazenda Santa Rita, de Muitos Capões, nos Campos de Cima da Serra, tem características únicas que a distinguem da maioria das “cantinas” do Rio Grande do Sul. A principal: seu proprietário é produtor de grãos e não descende de imigrantes italianos, como ocorre em quase toda a Serra Gaúcha. É catarinense de origem portuguesa.

A vinícola é o sonho do produtor rural Agamenon Lemos de Almeida transformado em realidade, após dez anos de muito trabalho. Trata-se de um projeto autossuficiente, formatado para produzir a uva, elaborar o vinho e comercializar a produção em varejo próprio, que ainda oferece opções de enoturismo.

 
Arquitetura açoriana

O projeto iniciou em 2005, com a implantação de um vinhedo de 12 hectares no pequeno município de Muitos Capões. E se completou no início de 2016, com a inauguração de uma moderna vinícola com capacidade para elaboração de até 100 mil garrafas de vinhos brancos, tintos e espumantes por safra. O empreendimento conta ainda com uma loja no centro de Vacaria, a maior cidade da região.

O estilo arquitetônico da vinícola, único no Brasil, remete às origens açorianas do seu fundador. Azulejos, quadros e um grande painel com os sobrenomes de 300 famílias dos Açores que colonizaram o sul do país a partir de 1748 lembram aos visitantes que o vinho é ainda mais encantador quando harmonizado com cultura e história.

 

 

Menos é mais

O proprietário explica que a VFSR é “uma vinícola boutique”, e que, por isso, não pretende aumentar a produção nos próximos anos: “Talvez até diminua, para garantir a qualidade dos vinhos”. Menos, neste caso, é mais. Menos volume, mais qualidade.

Cercada por vinhedos de Merlot, Chardonnay, Sauvignon Blanc e Pinot Noir, e pela réplica de uma Vila Açoriana (onde não faltou nem mesmo uma pequena capela), a Vinícola Fazenda Santa Rita também abre caminho para o enoturismo na região. Mas o seu foco principal é a excelência nos vinhos – alguns já premiados até mesmo na Europa.

 
Terroir promissor

O enólgo Delto Garibaldi, responsável pela elaboração dos vinhos tranquilos da VFSR (outro enólogo, o uruguaio Alejandro Cardozo responde pelos espumantes) destaca que os produtos locais já possuem “características próprias, reconhecidas por especialistas e consumidores”. Qualidades que são aportadas principalmente pela altitude média de cerca de mil metros dos Campos de Cima da Serra.

Na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, a região vem se afirmando como um dos mais promissores terroirs para a elaboração de vinhos brancos, tintos leves e espumantes no país. Com invernos longos e rigorosos, grande amplitude térmica no verão e boa ventilação o ano inteiro, a região proporciona uma maturação mais lenta das uvas (a vindima ocorre pelo menos um mês após a da Serra Gaúcha), que favorece a concentração de aromas e sabores.

 

 

Os vinhos da Fazenda

O resultado de todo o trabalho desenvolvido pela VFSR converge para um único ponto: a taça. É na taça que os esforços de mais de uma década na busca pela excelência se materializam. Provamos dois vinhos da Casa: um espumante rosé e um branco Chardonnay. A seguir, uma breve avaliação de cada rótulo.

 

 
Casa Portuguesa Brut Rosé

O Casa Portuguesa Brut Rosé 2014 se apresenta como um espumante descontraído, para ser bebido a qualquer hora do dia e em qualquer lugar, informalmente. E, de fato, é muito adequado para essas ocasiões.

Mas sua elegância aromática, perlage, frescor, estrutura e cremosidade o credenciam a situações mais sofisticadas, principalmente como acompanhamento de canapés finos, queijos franceses, ostras ou um salmão grelhado. Elaborado pelo método Charmat, resulta de um corte clássico de Chardonnay (60%) e Pinot Noir (40%).

A finesse deste Casa Portuguesa Brut Rosé não passou despercebida aos degustadores de pelo menos três concursos internacionais em 2015, onde ele foi condecorado com Medalhas de Ouro: Challenge International du Vin, na França; Mundial de Bruxelas, na Itália, e Vivandino, na Argentina.

 

 
Fazenda Santa Rita Chardonnay 2014

Alguns vinhos brancos da região já possuem uma identidade própria distinta da que carateriza outros rótulos elaborados com as mesmas castas algumas centenas de metros mais abaixo, na Serra Gaúcha.

Este Fazenda Santa Rita Chardonnay 2014, por exemplo, é um pouco menos ácido e mais untuoso do que a maioria dos seus “primos” gaúchos, com notas lácteas que aparecem discretamente no primeiro ataque olfativo e ressurgem com intensidade ao primeiro gole. Abacaxi, lima e uma nota sutil de goiaba completam a paleta de sabores. Um toque mineral acrescenta elegância ao conjunto.
O rótulo foi classificado entre os 16 vinhos mais representativos da Safra 2014, pela XXII Avaliação Nacional de Vinhos, em Bento Gonçalves (RS).

 

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