O raro privilégio de provar vinhos “diferentes”

A intimidade com o mundo do vinho tem me proporcionado experiências únicas. As constantes visitas a diferentes regiões produtoras, a vinícolas, a vinhedos, e a convivência com enófilos, lojistas, colecionadores, confrarias e, principalmente, com enólogos, volta e meia me surpreendem com vinhos “diferentes”, que não são encontrados por aí.

Vou lembrar, hoje, apenas alguns exemplos. Há algum tempo, quando gravava uma reportagem sobre vinhos brasileiros antigos para o programa E Por Falar em Vinhos (Canal Rural), a Vinícola Dal Pizzol, de Bento Gonçalves (RS), me presenteou com uma degustação única de um de seus vinhos mais antigos – um Do Lugar Cabernet Franc 1978, quardado a sete chaves na Enoteca da Casa. O vinho estava em ótima forma. De quebra, ainda abrimos mais duas garrafas com cerca de 30 anos de adega.

Outro dia, durante outra gravação, o enólogo Gilberto Pedrucci, da Vinícola Pedrucci, de Garibaldi (RS), me surpreendeu com a degustação de um espumante Moscatel (sem rótulo) elaborado em 2007. O moscatel é, como se sabe, um vinho espumante adocicado de única fermentação e baixo teor alcóolico (7,5% em média), geralmente consumido muito jovem. Neste caso, com nove anos de garrafa – uma raridade! – este Moscatel estava soberbo. Douradão, cremoso, ainda com boa acidez, perlage inatacável e menos doce do que a média dos moscateis. Incomparável com qualquer outro vinho existente no mercado.

Mas ninguém me surpreende com mais frequência do que o enólogo uruguaio Alejandro Cardozo, que faz vinhos em vários países, e, para nossa alegria, também aqui no Brasil. Seguidamente, recebo em casa uma caixa com vinhos “diferentes” do Alejandro – alguns elaborados em parceria com outro enólogo criativo, o Irineo Dal Agnoll, da vinicola Estrelas do Brasil. A expectativa cresce toda vez que o Alejandro avisa que vai me enviar “algumas coisas” que ele anda fazendo…

Dessas sensacionais “experiências” do Alejandro, destacaria o espumante tinto – sim, um espumante tinto! – Negro, elaborado com uvas Merlot. Um Fumé Blanc, elaborado com uvas Sauvignon Blac com passagem por barrica de carvalho. E, o mais original de todos, que provei há pouco: um espumante com seis anos de garrafa – fermentado com rolha (em vez da tampa metálica provisória) e sem dègorgement (as leveduras mortas ainda estavam todas na garrafa). Delicioso!

Há muito mais, por certo, e em próximos posts vou contar outras histórias sobre os vinhos, como direi, não convencionais que tenho tido o privilégio de provar.

 

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