Honesto Pinot Noir borgonhês de entrada

Os franceses gostam de dizer que é impossível fazer bons vinhos Pinot Noir fora da Bourgogne. Exagero. Os Pinot Noir do Oregon (EUA), por exemplo, são considerados hoje excelentes – até mesmo por críticos franceses nāo rabugentos. Há bons rótulos desta casta sensível e caprichosa elaborados atualmente também na Alemanha, Áustria, Canadá e, inclusive, no Brasil.

São iguais aos da Bourgogne? Óbvio que não. Impossível replicar a produção de um terroir tão complexo em qualquer outro lugar. São PN norte-americanos, alemães, austríacos, canadenses, brasileiros. Nem melhores, nem piores do que os borgonheses: diferentes, isso sim. Em todo caso, muito superiores aos seus “primos” argentinos e chilenos, geralmente superextraídos, muito alcóolicos e barricados, sem a elegância que caracteriza os bons Pinot da Bourgogne.

Mesmo rótulos franceses bastante simples, de entrada, como este Jean Lafitte 2014, comercializado em supermercados na faixa de R$ 70, podem exibir uma acidez nervosa, uma delicadeza natural e uma boca deliciosamente tutti-frutti. Características que nos lembram que vinhos pouco alcóolicos (12,5% neste caso) podem ser extremamente agradáveis quando desejamos beber mais de duas taças sem os inconvenientes da embriaguez ou de uma ressaca no dia seguinte. Pouco tânico, o rótulo deste tasting harmoniza muito bem com queijos franceses Brie, Camembert e até com peixe.

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