Nature da região Central do RS

O negócio do restaurateur Paulo Geremia, da rede gaúcha de galeterias DiPaolo, é a culinária. Com dez restaurantes espalhados pelo Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e planos de abrir novas operações em outros Estados, o Paulo já poderia se dar por realizado na vida como empresário. Mas o empreendedor tinha um sonho: fazer o seu próprio vinho. Chegou a ter um rótulo próprio, o vinho DiPaolo, elaborado por uma vinícola parceira da Serra e comercializado como vinho da casa. Mas ainda era pouco para o Paulo.

Longe da Serra Gaúcha, onde nasceu a rede de galeterias, em São João do Polêsine, na região Central do Rio Grande do Sul, uma área sem muita tradição na produção de vinhos finos, a vinícola ÓperaViva elabora para a DiPaolo vinhos tranquilos e espumantes, em pequenas tiragens.

Provei o espumante Paulo Geremia Brut 2011. Trata-se, na verdade, de um borbulhante Nature (zero açúcar ou perto disso), corte de Chardonnay e Riesling Itálico, elaborado pelo Método Tradicional ou Champenoise (segunda fermentação na garrafa), que descansou por cinco anos em contato com as leveduras mortas.

Todo esse tempo de autólise (uma raridade na produção nacional) confere ao vinho características bem especiais. A começar pela cor, dourada, linda. A coluna de bolhas finas revela finesse e qualidade. Mas é no nariz que notas sofisticadas de evolução – nozes, brioche, fermento – confirmam a elegância do conjunto. Na boca, é cremoso, acídulo e refrescante, com um leve traço terminal de oxidação – que eu, particularmente, não gosto, mas que aparece com frequência em bons champagnes. O terroir do centro do Rio Grande do Sul começa a mostrar que pode encarar regiões vitivinícolas mais tradicionais, como a Serra e a Campanha, com produtos dotados de personalidade própria.

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