Concursos de vinhos são importantes?

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Concursos são excelentes oportunidades para as vinícolas divulgarem sua marca e receberem um feedback abalizado sobre seus vinhos. Medalhas são uma decorrência natural dos acertos e, embora estejam um tanto banalizadas hoje em dia, ainda conferem certo status aos produtos para boa parte dos consumidores. É difícil negar que o bebedor leigo, diante da enorme oferta de rótulos, não olhe com mais atenção para vinhos “medalhados”. Medalha não é um fator decisivo para a compra, mas certamente funciona como uma referência a mais quando há muitas opções e poucas informações para dificultar a escolha.

Para as vinícolas, o retorno de uma participação em concurso não pode ser medido objetivamente. Quando seus vinhos são premiados, indiscutivelmente há ganhos de marketing, pois os produtos recebem aval de um corpo especializado de degustadores. Veredito que pode (ou não) servir de orientação para consumidores iniciantes ou indecisos (como ocorre com a crítica especializada de livros ou filmes). Os valores de inscrição de amostras são geralmente ínfimos em comparação com a exposição gratuita na mídia que uma premiação proporciona. E, se não houver prêmio, também não haverá maior prejuízo: os bons concursos não divulgam os nomes dos vinhos não classificados. Ainda assim, muitas vinícolas de renome preferem não participar de competições.

Vinhos medianos – mais do que rótulos de alta gama – têm sido muito bem avaliados em concursos nacionais e internacionais. Por quê? Provavelmente porque as vinícolas estão mais interessadas em obter reconhecimento para vinhos destinados a um público mais amplo – que “rodam” mais nas lojas, restaurantes e supermercados – e por isso enviam aos concursos uma quantidade maior de amostras dessa linha. Mas também porque os ícones da casa (geralmente de pequena tiragem) já são reconhecidos pelos enófilos e contam com um público cativo.

Outra explicação: sempre é mais interessante, do ponto de vista do marketing, ganhar uma medalha de ouro com um vinho médio do que uma medalha de prata com um rótulo premium. Não sejamos ingênuos, ninguém quer correr o risco de ter um vinho ícone avaliado com nota inferior a de um mediano. Não se pode esquecer que as degustações técnicas são às cegas, onde não há influência da crítica especializada, do nome da vinícola ou do rótulo. E, nesses casos, surpresas podem acontecer…

Sempre me perguntam, também, se os concursos de que participo como jurado são “sérios” ou “imparciais”. Não posso falar pelas avaliações que não conheço. Mas posso assegurar que os concursos dos quais tive a honra de participar até hoje são, sim, sérios e muito bem organizados – de acordo com regras internacionais. Quanto a mim, sempre levei muito a sério o meu trabalho como jurado em todos os julgamentos em que atuei. E acredito que meus colegas de júri também.

Agora, o mais importante: as avaliações de concursos, apesar de válidas, não podem ser sacralizadas. Elas expressam a percepção (em grande parte subjetiva) de um determinado grupo em um determinado momento sobre vinhos de uma determinada safra – que podem ser avaliados de modo diferente por outro júri em outro lugar e em outra ocasião. São, portanto, apenas uma referência, nunca uma sentença definitiva sobre um vinho. Por isso, cada enófilo deve beber o vinho que mais lhe agrada, do jeito que mais gosta, independentemente de pontos ou medalhas.

 

 

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