Muito além da Tannat

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Tive uma agradável surpresa, há alguns anos, quando visitei as principais regiões vinícolas uruguaias, a convite do Wines of Uruguai, e descobri que o pequeno vizinho sul-americano tem muito mais a oferecer em matéria de vinho do que os seus consagrados Tannat.

Ninguém discute que o Tannat é o vinho uruguaio por excelência. O que os nossos hermanos fazem com essa casta áspera e pouco expressiva na sua França de origem – de onde foi trazida por Don Pascual Harriague, no século 19 – é realmente admirável. Em geral, são vinhos densos, carnudos, com notas aromáticas que aludem à terra e couro, sustentados por um robusto “esqueleto” de álcool, acidez e taninos marcantes. Tannat, hoje, é emblema do Uruguai – como a camisa Celeste, da seleção de futebol.

Mas a vitivinicultura uruguaia vai muito além da uva Tannat, prima donna nas cartas de vinhos locais. Neste giro por Montevidéu, Canelones e Maldonado, provei vinhos elaborados com outras cepas – principalmente brancos – que surpreendem pela elegância, mineralidade e acabamento. Destacaria, por exemplo, os Sauvignon Blanc, Alvarinho, Torrontés, Chardonnay, Viognier, Pinot Noir, Merlot e, principalmente, os Cabernet Franc de bodegas como Bouza, Pisano, Pizzorno, H. Stagnari, Marichal, Filgueira, Toscanini, Família Deicas, Carrau ou Alto de La Ballena. Vale a pena conhecê-los.

Um vinhateiro de Canelones, a quem perguntei por que o Uruguai praticamente só exporta Tannat para o mercado brasileiro e nos “sonega” suas outras joias, me respondeu candidamente:

– Ora, porque vocês só nos pedem Tannat.

 

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