SIMPLICIDADE COM SABOR

O Rio Grande do Sul foi colonizado em grande parte por imigrantes italianos. Por isso, ainda é bastante presente nos restaurantes locais a influência da gastronomia italiana – sobretudo na Serra do Nordeste, onde se concentrou a maior parte dos colonos vindos da Itália. Há, também, a culinária de outras etnias que compõem a população gaúcha, como a alemã, a polonesa, a portuguesa, a africana, a árabe e a judaica. E, claro, uma dieta típica baseada em carnes assadas – influência dos vizinhos Argentina e Uruguai.

Porto Alegre tem bons restaurantes japoneses, portugueses, tailandeses, franceses, árabes e de outras latitudes. Mas, gostemos ou não, o fato é que o Rio Grande não possui uma culinária própria muito “rica”. O estado se urbanizou de verdade há poucas décadas, e a comida típica gaúcha ainda conserva forte influência da vida campeira, principalmente da pampeana Campanha, com suas vastas extensões de campos e economia agropastoril. O Arroz de Carreteiro, por exemplo, é um prato bem típico, elaborado com arroz e charque. Aipim, abóbora e feijão preto são vegetais que comparecem com frequência ao cardápio desta culinária um tanto rústica, porém saborosa.

O “boi verde” gaúcho

Mas o forasteiro que quiser comer bem no Rio Grande do Sul tem de experimentar a carne bovina gaúcha. Que é, de longe, a melhor do Brasil, e a matéria-prima do prato local mais conhecido: o churrasco. O RS é um dos poucos estados brasileiros que, em razão de invernos frios e clima mais ameno no verão, abriga em seus campos gado de raças europeias, como Angus, Devon, Charolês ou Limousin (No resto do país, prevalecem as raças zebuínas, Nelore à frente), O gado gaúcho é criado a campo, alimentado apenas com sal e capim, o que confere à carne do chamado “boi verde” textura e sabor inigualáveis, não encontrados nas carnes de animais criados em estábulos e nutridos com rações. Além disso, essa carne possui marmoreio (gordura entremeada nas fibras) na medida certa, o que a torna mais macia e saborosa. Sem bairrismo, se pode afirmar que a carne bovina gaúcha figura entre as melhores do mundo, ao lado da uruguaia e da argentina.

Espeto corrido

O churrasco gaúcho – um assado de vários cortes diferentes, com destaque para a picanha, o vazio e a costela bovinos, temperados apenas com sal grosso – ainda é servido em muitos restaurantes em forma de rodízio. É só pedir um “espeto corrido” que esses cortes começam a pousar na mesa, numa sucessão interminável de aromas, texturas e suculência deliciosos. À carne bovina, acrescentam-se ainda a coxa e o coração de frango, o lombo de porco e o pernil de cordeiro. Dificilmente se encontrará, em qualquer outro lugar do mundo, tamanha oferta de carnes em uma única refeição como no rodízio gaúcho. Para quem não dispensa proteína animal, é o paraíso.

Os melhores espumantes do Novo Mundo

Claro que uma refeição consistente como esta tem de ser escoltada por bons vinhos brasileiros, principalmente os elaborados com a casta Merlot (a uva emblemática da Serra Gaúcha), mas também pelos excelentes espumantes da região, que hoje estão entre os melhores do mundo e são, sem dúvida, os melhores do Novo Mundo. E, de sobremesa, não podem faltar doces de frutas típicos, como a goiabada, a figada, a marmelada ou os famosos doces de Pelotas, de origem lusitana.

Simplicidade com sabor. Talvez essa seja a melhor definição da gastronomia gaúcha.

 

 

 

Foto: Agência Megafone

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