Olivoturismo: por que não?

Onde viceja a vinha, a oliveira vai bem. As duas culturas convivem harmoniosamente em solos pedregosos, com clima seco e boa insolação. Essa realidade, conhecida de italianos, espanhóis e portugueses há séculos, começa a tomar forma também no Rio Grande do Sul. Na Metade Sul do estado, em municípios como Encruzilhada do Sul, Bagé, Dom Pedrito ou Pinheiro Machado, vinhedos ganham, a cada ano, a companhia de novos olivais.

De acordo com o Cadastro Olivícola 2017, o estado já possui mais de 3,4 mil hectares de oliveiras, 8 agroindústrias, 20 marcas de azeite e 145 produtores, que elaboram mais de 57 mil litros por safra. Alguns desses olivicultores também são vitivinicultores, de olho na mais nova riqueza do agronegócio sulista.

Numa comparação com a vitivinicultura, se pode dizer que a olivicultura se encontra, hoje, no mesmo estágio em que estava, há algumas décadas, o vinho gaúcho. Cresce em volume e qualidade, e começa a conquistar o respeito dos consumidores brasileiros.

É hora, portanto, de os produtores começarem a pensar seriamente em uma alternativa suplementar de receita: o olivoturismo. Que é expressivo na Europa, onde existe uma cultura olivícola bem sedimentada. Em Portugal, um dos principais produtores mundiais de azeite, por exemplo, há pacotes turísticos destinados a visitantes interessados em ver de perto a extração do óleo, tal como ocorre com a elaboração do vinho nas vinícolas.

Por aqui, ainda não temos nada que se possa chamar, com propriedade, de olivoturismo. No entanto, algo já está acontecendo. Em Pinheiro Machado, onde o empresário Luiz Eduardo Batalha (que trouxe a cadeia Burger King para o Brasil) possui cerca de 400 hectares de olivais, as visitas começaram timidamente – mas já estão virando uma atração turística. Somente em 2017, a empresa recebeu cerca de 400 visitantes para almoços em que são degustados os azeites da propriedade acompanhados de duas outras especialidades locais: os vinhos e a carne de cordeiro.

Que essa experiência pioneira de olivoturismo entre nós sirva de estímulo para os produtores de azeitonas e azeite e também para os que já possuem a expertise do enoturismo.

 

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