A voz da olivicultura

Recém  lançado, o azeite AZ 0.2 é o mais novo item do portfólio da Bueno Wines, grife de vinhos – e agora também de azeites – do narrador esportivo Galvão Bueno.

Com nove hectares de olivais cultivados desde 2010 nos campos suavemente ondulados da Bellavista Estate, em Candiota, na Campanha Gaúcha, Galvão Bueno é um dos 150 produtores que estão transformando o óleo de oliva numa das principais riquezas da região mais meridional do Brasil, ao lado da carne bovina, do vinho, do arroz e da soja (Perto dali, em Pinheiro Machado, o empresário paulista Eduardo Batalha, que trouxe o Burger King para o Brasil, também aposta alto na olivicultura: implantou 400 hectares de olivais e não pretende parar por aí).

Para quem já produz vinhos, como o narrador, a elaboração de azeites é quase uma extensão natural de suas atividades agrícolas. Videiras e oliveiras convivem em perfeita harmonia em lugares muito quentes no verão e bastante frios no inverno, secos e com solos pedregosos. Com boa parte de seu Extremo Sul dotado dessas características, o Rio Grande do Sul já é o maior produtor brasileiro de azeite. Possui mais de 3,4 mil hectares cultivados com oliveiras, 20 marcas e oito agroindústrias, que elaboram anualmente 60 mil litros do produto. Mas a corrida ao óleo está só começando, dizem produtores menos famosos que veem na olivicultura uma alternativa de renda atraente, por causa do alto valor agregado do azeite.

O mais novo olivicultor brasileiro comemora sua primeira safra quase com o mesmo entusiasmo com que narrava as vitórias dos pilotos brasileiros na Fórmula 1 ou festeja os gols da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. “Um azeite para ser Extra Virgem só pode atingir 0.80 de índice de acidez. Nossas azeitonas produziram um Extra Virgem com incríveis 0.15”, vibra Galvão Bueno.

O AZ 0.2 que está chegando ao mercado é um blend de três variedades bem conhecidas: Arbequina, Arbosana e Picual. Este “corte”, como se diz na enologia, resulta, conforme a Bueno Wines, num “azeite aromático, com cheiro de frutos secos (amêndoa) e banana, e que traz um equilíbrio entre o amargo e o picante, de intensidade leve”.

Com a expertise acumulada na vitivinicultura, o terroir adequado e a preocupação com a excelência que caracteriza os produtos da Bueno Wines, não será surpresa se em pouco tempo o azeite do Galvão Bueno estiver disputando medalhas com alguns dos melhores óleos italianos, gregos ou portugueses, como já acontece com outros rótulos gaúchos. Marketing bem feito também ajuda: a embalagem do AZ 0.2 é uma joia do design industrial.

Rota das Oliveiras e Ibraoliva

Além do lançamento do primeiro azeite da Bueno Wines, outras novidades movimentam o jovem mundo do azeite brasileiro. Na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, um projeto propõe a criação da Rota das Oliveiras. E o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), criado no ano passado durante a Expointer, dá seus primeiros passos.

A Rota das Oliveiras é um projeto do deputado estadual Ernani Polo, que sugere a criação de um roteiro voltado para o olivoturismo, inspirado nos que existem em Portugal, na Grécia e na Itália.  Os turistas do azeite podem conhecer de perto a cultura da oliveira, visitar olivais e lagares, participar de colheitas, ver o azeite ser extraído e ainda degustar o produto. A semelhança com o enoturismo, com suas visitas a vinícolas e degustações de vinhos, não é mera coincidência.

A Rota das Oliveiras é formada por municípios com expressão no cultivo de olivais e na produção de azeites e conservas. Os municípios que comporão esse roteiro são: Bagé, Barra do Ribeiro, Cachoeira do Sul, Caçapava do Sul, Candiota, Canguçu, Dom Feliciano, Dom Pedrito, Encruzilhada do Sul, Pinheiro Machado, Piratini, Rosário do Sul, Santa Margarida, Santana do Livramento, São Gabriel, São Sepé, Sentinela do Sul e Vila Nova do Sul. A maior parte deles se situa em meio ao Pampa Gaúcho – cujas coxilhas verdejantes suavemente onduladas são uma atração turística à parte.

Já o Instituto Brasileiro da Olivicultura (Ibraoliva), criado na última Expointer, em agosto do ano passado, quando o deputado Polo era secretário de Agricultura do Rio Grande do Sul, reúne produtores gaúchos, mineiros e catarinenses. O Ibraoliva nasceu com o desafio de promover e ordenar o desenvolvimento do setor olivícola – ainda incipiente, mas bastante promissor, a julgar pelo crescente aumento do volume de produção e pelos prêmios que começa a conquistar no exterior. O modelo para a constituição do Instituto foi o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin). Só que, ao contrário da vitivinicultura, que levou mais de um século para se afirmar no país, a olivicultura cresce em outras condições, bem mais favoráveis, tanto do ponto de vista tecnológico quanto cultural. O setor foi incluído no Plano Safra 2017/2018, com financiamento de R$ 3,2 bilhões.

 * Publicado originalmente na revista Plant Project.

 

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