Vinhos de amigos

Escrever sobre vinhos que amigos queridos generosamente me enviam é sempre uma tarefa difícil para mim. Porque não é uma degustação às cegas. Porque não é uma avaliação “técnica”. Porque, obviamente, envolve fatores subjetivos (como, de resto, acontece com qualquer avaliação de vinhos).

Mas meus amigos vinhateiros sabem que tenho sido absolutamente sincero com eles nesses anos de amizade e taças. Algumas vezes já fiz reparos aos vinhos que provei – por solicitação deles mesmos, que sempre me pedem para ser rigoroso nessas “avaliações”. Foram críticas construtivas, bem entendido, no sentido de ajudá-los a aprimorar seus produtos. Claro que todo julgamento tem muito de gosto pessoal, e tanto posso ter acertado quanto errado. Ademais, não me considero um “crítico de vinhos” – longe de mil tal pretensão. Na melhor das hipóteses, sou um modesto “cronista do vinho”.

Em todo caso, selecionei aqui alguns dos vinhos de amigos que provei nos últimos tempos e que aprovei plenamente. Todos eles muito bem feitos, equilibrados, alguns demonstrando nítida evolução em relação a safras anteriores. Observei nesses rótulos uma característica que muito me agrada em qualquer tipo de vinho: a capacidade de surpreender. Seja por uma casta, região ou blend inusitados, seja por um experimento inusual no processo de vinificação, ou até mesmo por sugerir novas formas de degusta-los, como é o caso do Moscatel para ser bebido com gelo.

Feito o esclarecimento, fica a dica de rótulos diferentes, instigantes e cheios de personalidade que estão chegando ao mercado para serem submetidos ao julgamento que realmente importa – o do consumidor.

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